Finalmente chegou 4 de Março, deverão ter pensado muitos, quando se levantaram da cama no domingo passado. Isto porque tinha chegado o dia em que o embate mais aguardado do campeonato se iria disputar, entre A.A.C. e RV’s. Duas equipas que até à data tinham demonstrado uma grande força colectiva, que se traduzia em bons resultados. Duas equipas que tinham conseguido os mesmos resultados contra as mesmas equipas, com diferenças não substanciais apenas nos números. Duas equipas que aparentavam nos jogos anteriores, uma previsível rivalidade, uma rivalidade saudável.
No entanto, as previsões climatéricas confirmaram-se e a chuva caiu de forma incessante até às 15h. A uma hora e meia do início do jogo, parecia certo que o jogo teria que ser adiado. Mas a partir das 15h, as nuvens abriram e começou nessa altura o trabalho dos responsáveis do A.A.C. de maneira a que o jogo pudesse realizar-se. E realizou-se, com atraso de meia hora, com um piso praticamente seco! As bancadas tiveram menos gente que o habitual, devido ao facto de a maior parte não acreditar na realização do jogo, mas os adeptos fiéis marcaram presença e fizeram a festa do futsal.
A equipa do A.A.C. apresentou-se na máxima força e do lado dos RV’s apenas uma baixa, Daniel Pereira, por motivos desconhecidos. Estavam reunidos os ingredientes para um grande jogo de futsal.
No A.A.C. começou o 5 teoricamente mais forte com João Reis na baliza a resguardar Pedro Vicente, Telmo Nabais, Hugo Lopes e Daniel Teles.
O jogo iniciou-se e logo se percebeu que não era um jogo para facilitismos. Marcações cerradíssimas de parte a parte com destaque para o duelo Bruno Pires – Daniel Teles. As peças encaixaram umas nas outras e só passado algum tempo é que surgiu a primeira oportunidade mas Telmo Nabais, após fugir à marcação, falhou na cara do guarda redes Nuno Machado que foi rapídissimo a fazer a mancha. Logo a seguir foi Luís Trindade quem conseguiu ficar na cara do guarda redes mas novamente o guardião dos RV’s a brilhar com uma excelente defesa.
Com os minutos a passar, os RV’s conseguiram também alguns remates, com destaque para Bruno Pires num remate cruzado, mas nenhuma das bolas levava a direcção da baliza. A primeira parte decorria com grande equilíbrio táctico e sem muitas oportunidades. O jogo era muito pautado e nenhuma das equipas queria oferecer a vantagem à outra.
Quando a primeira parte se aproximava do seu termo mais duas boas oportunidades para os A.A.C. Primeiro Bruno Correia, após boa jogada de envolvimento, surge na cara de Nuno Machado que novamente tapou o ângulo de remate ao jogador do Agustinus. A fechar, uma oferta de Luís Reis fez com que Telmo Nabais se encontrasse num 2 para 1 com Daniel Teles a ajudar e Bruno Pires como adversário, mas foi muito lento a decidir-se pelo remate, e quando o fez Bruno Pires fez um corte importantíssimo.
E assim se chegou ao intervalo, com uma primeira parte muito equilibrada, mas onde as oportunidades mais claras se fizeram sentir junto à baliza de Nuno Machado que já nessa altura se perfilava para ser o melhor jogador em campo.
A segunda parte abriu como tinha acabado a primeira. Perda de bola em zona proibitiva de Carlos Esteves para Telmo Nabais e, num 2 para 1 com os mesmos actores, Telmo Nabais foi lesto a soltar a bola para Daniel Teles mas foi este, desta feita, a demorar tempo a rematar permitindo o corte espectacular de Bruno Pires, o esteio da equipa dos RV’s. Seguiu-se um período com menos oportunidades e mais faltoso em que os RV’s conseguiram explanar o seu futsal com mais tranquilidade, surgindo nesta altura Vítor Duro como o homem que ia tentando rasgar a defesa do A.A.C. mas com pouco sucesso.
Até que o minuto 29 chegou. Bola perdida dentro da área do A.A.C. à mercê de Hugo Lopes e Daniel Teles que ficaram a olhar um para o outro e quem aproveitou foi o antigo jogador da nossa equipa Luís Reis que fuzilou inesperadamente João Reis com um remate cruzado, fazendo desta forma o 1-0. Era o primeiro erro cometido pela equipa laranja e a experiência dos RV’s emergiu em toda a sua completude. O A.A.C. tentou reagir como é seu timbre, mas aos 32 minutos Bruno Pires correu com a bola pela esquerda, fintou um adversário e na cara de João Reis rematou contra o dorso deste, anichando-se devagarinho a bola no fundo da baliza. 2-0 para os RV’s e uma vantagem importantíssima que esta equipa tão perita é a guardar.
Imediatamente foi pedido desconto de tempo pelo A.A.C. que se encontrava um pouco desnorteado com estes dois golos de rajada. A resposta a seguir foi um pressing a todo o campo ao qual os RV’s responderam com muita serenidade na troca de bola. Nesta altura, Telmo Nabais e Vítor Palma viram ambos o cartão amarelo depois de cortes escandalosos com a mão. Logo de seguida com a equipa do A.A.C. toda balanceada no ataque, Carlos Esteves saiu num contra ataque isolado desde o meio campo e na cara do guarda redes João Reis permitiu-lhe uma defesa brilhante.
Os RV’s acumulavam faltas num jogo que se tornava difícil para a dupla de arbitragem David Silva e João Nabais, muito pressionados por ambas as equipas, que entretanto se tinham deixado tomar conta pela emoção do jogo. E finalmente, surgiu o golo do A.A.C. aos 36 minutos pelo inevitável Hugo Lopes. Bola à entrada da área, remate de Hugo Lopes e bola no ângulo da baliza de Nuno Machado, que se encontrava tapado pela acção dum adversário e não terá visto a bola partir.
O jogo que parecia acabado recebia o mote para 4 minutos de grande emoção. Os RV’s pediram desconto de tempo e surgiram organizados defensivamente, mas quase abdicaram do ataque. Foram 4 minutos de destaque para Pedro Vicente e… Nuno Machado. Primeiro, o jogador surgiu isolado mas demorou muito tempo e ainda permitiu o corte a Bruno Pires. Na jogada seguinte, conseguiu fintar este mas o seu remate foi defendido de forma brilhante por Nuno Machado. Mesmo a acabar, Luís Trindade sofreu falta, que era a 6ª dos RV’s. Livre directo e provavelmente a última oportunidade para o A.A.C. ainda chegar ao empate. No frente a frente, Pedro Vicente fez um remate espectacular, forte e colocado, mas Nuno Machado segurou a vitória dos RV’s com um voo ainda mais espectacular.
Foi um jogo de grande nível, e de muita emoção, especialmente pela parte final. O resultado poderia ser o empate se a justiça estivesse em causa, mas no futsal já se sabe que quem comete menos erros e aproveita os do adversário acaba por vencer. Foi o que aconteceu, com a equipa dos RV’s a igualar a do A.A.C. no topo da classificação, com um jogo ainda por disputar. Destaque para o fair-play no final do jogo evidenciado entre as duas equipas que se cumprimentaram respeituosamente.
O A.A.C. encerra assim a primeira volta numa boa posição, com tudo em aberto, apesar de não ter vencido um único jogo contra os candidatos ao título. Agradecemos o apoio dos nossos adeptos e assim esperamos que continue, pois estamos na corrida…
Análise individual:
João Reis: Não foi um jogo com grande trabalho para o guardião do A.A.C. que ainda assim sofreu dois golos sem culpas nos lances e teve ainda uma boa defesa num remate de Carlos Esteves que podia ter dado o 3-0 e acabado com o jogo aí.
Telmo Nabais: Exibição longe dos seus melhores tempos, apresentou-se muito mal fisicamente. Ainda assim esteve ligado a alguns lances de perigo.
Daniel Teles: Esteve completamente seco. Bruno Pires não lhe deu hipóteses na marcação individual que lhe dirigiu durante o encontro. Não está livre de responsabilidades no primeiro golo dos RV’s.
Hugo Lopes: Marcou o golo de honra (alguém esperava o contrário?), mas está também ligado ao primeiro golo dos RV’s. Ainda assim, foi dos que teve maior discernimento com a bola nos pés.
Pedro Vicente: Foi o jogador que mais remou contra a maré. Pena que aquele livre directo não tenha dado golo, pois este jogador já merecia.
Daniel Alfaiate: Esteve mais tempo em campo na primeira parte, onde se integrou nas movimentações de ataque do A.A.C. Na segunda parte, praticamente abdicou de jogar, para se entregar às suas capacidades como técnico da equipa.
Luís Trindade: Teve uma perdida flagrante na primeira parte. Na segunda parte foi importante no desgaste à defesa contrária e sofreu a falta que podia ter dado o 2-2 mesmo no final.
Bruno Correia: Teve também uma perdida incrível na primeira parte. Ao contrário de outros jogos, não se destacou individualmente, mas integrou-se bem no esquema colectivo da equipa.
Flash interview:
No final do encontro, Telmo Nabais e Daniel Alfaiate não esconderam o desapontamento pela derrota. Pedimos desculpa pela qualidade da imagem, mas por dificuldades técnicas inerentes à falta de iluminação, não foi possível apresentar melhores condições:
Carregue aqui para assistir ao flash interview no final do jogo
