
Foi uma tarde de Carnaval, com meteorologia inconstante, que marcou o regresso do A.A.C. à liga JAPWin, após um interregno devido à folga na quarta jornada prolongado pelo adiamento do jogo do último fim de semana para esta terça-feira. E foi um regresso num campo bastante difícil, com a equipa da casa a sentir um forte apoio dos seus adeptos, talvez o maior até à data, passando a mensagem de que o nosso clube arrasta multidões. A equipa adversária tinha dois jogos disputados e ambos tinham acabado com a vitória dos CNC DRAST, sendo esse, por si só, motivo de respeito aliado à valia individual dos jogadores.
Mas do nosso lado estava também uma equipa na sua máxima força, pela primeira vez esta temporada, com o regresso de João Reis, que tinha duas vitórias e apenas um empate no terreno de um dos candidatos ao título e que queria manter o registo positivo neste jogo tentando amealhar mais três pontos e atingir o mesmo número de pontos que os líderes.
O 5 inicial foi o mesmo das primeiras duas jornadas, com João Reis na baliza e também Pedro Vicente, Telmo Nabais, Hugo Lopes e Daniel Teles. O jogo começou com as duas equipas cautelosas, mas claramente se começou a ver de quem iriam ser as despesas do jogo. A equipa dos CNC DRAST encolhia-se atrás, onde pontificava o capitão Hugo Silva, e o A.A.C. ia trocando a bola no meio campo adversário tentando abrir brechas numa defesa bastante fechada. As dificuldades em entrar na área eram notórias e os remates de meia distância começaram a surgir, sempre de forma algo atabalhoada. Excepção feita para um remate para golo de Telmo Nabais, rechaçado superiormente por Tiago Alberto para canto. Os CNC DRAST tentavam responder em lances de contra-ataque, mas sempre de uma forma individualista para não perder o equilíbrio atrás. A meio da primeira parte, o jogo foi interrompido por causa da chuva, que deixou o piso escorregadio mas, como foi chuva de pouca dura, o jogo reatou logo a seguir. E o A.A.C. surgiu diferente, mais perigoso nas trocas de bola e com os alas mais abertos. Duas oportunidades flagrantes apareceram nesse período, primeiro Telmo Nabais e de seguida Daniel Teles surgiram na cara do guarda redes Tiago Alberto mas falharam o desvio para a baliza. Destaque ainda para um remate de Daniel Teles que atingiu em cheio a face de Tiago Alberto e o deixou estendido no asfaltado durante alguns minutos a receber assistência.
Até que em cima do intervalo, aos 19 minutos, Luís Trindade surgiu solto na área, preparou o remate para o pé direito, Hugo Silva tentou em desespero a dobra, mas Luís Trindade puxou a bola para o pé esquerdo e com um remate imparável inaugurou o marcador. Numa altura importantíssima do jogo, o A.A.C. conseguia finalmente a vantagem no marcador, que já justificava pelo que tinha feito na primeira parte.
E assim se chegou ao intervalo. 1-0 no marcador, uma primeira parte que não primou pela qualidade do futsal das duas equipas, mas que mostrou um A.A.C. dominador e um CNC DRAST cheio de garra. As bancadas estiveram muito calmas, revelando-se apenas exaltadas nos momentos em que Tiago Alberto intervia no jogo.
A segunda parte recomeçou como a primeira. Ritmo de jogo imposto pelo A.A.C. mas com a equipa dos CNC DRAST um pouco mais subida no terreno. E aos 22 minutos, Bruno Correia, após uma bonita jogada de envolvência, passou no um para um por Hugo Silva e na cara do irmão Tiago Alberto desferiu um remate rasteiro sem dar hipóteses de defesa. Era o 2-0 e uma vantagem mais confortável para o A.A.C.
O encontro parecia direccionado para um único destino. Mas a equipa do A.A.C. a partir desta altura ficou irreconhecível, optando por uma estratégia algo similar à do adversário na primeira parte, com uma circulação lenta de bola e pouca agressividade no ataque. O efeito desta postura, que pretendia adormecer o adversário, foi o contrário. Os CNC DRAST começaram a ganhar confiança, agigantaram-se no ataque e começaram a pressionar. A equipa do A.A.C. pouco ou nada fazia para inverter a situação, um pouco encostados à sombra do resultado. As oportunidades dos CNC DRAST sucediam-se e ao minuto 27, Ricardo Celso, o homem que pegou na equipa, principalmente nesta fase, ganhou a linha e cruzou para Rui Pires que teve tempo para dominar e atirar por baixo do corpo de João Reis para o fundo da baliza.
Nesta altura, o resultado tornou-se demasiado perigoso e os adeptos e simpatizantes do CNC DRAST ficaram eufóricos acreditando que ainda era possível pelo menos o empate. E a resposta que se exigia ao A.A.C. acabou por não acontecer muito por mérito do adversário. As oportunidades não eram muitas, mas o A.A.C. não conseguia sair a jogar do seu meio campo. E aos 34 minutos, o incrível aconteceu. Jogada pela direita de Tiago Joel, remate para uma defesa em que João Reis apenas consegue dar uma sapatada para o meio e Ricardo Celso, na boca da baliza, viu a bola embater-lhe nas pernas e ir parar ao fundo da baliza. 2-2 e apenas 6 minutos para jogar.
Para os CNC DRAST soou a trompa para o recolher das tropas, mas a equipa do A.A.C. pouco esclarecida, não conseguia beliscar a organização dos CNC DRAST. Mas a partir dos 36 minutos, quando Daniel Alfaiate fez a equipa regressar ao 5 inicial, a equipa voltou ao que todos conhecem, e com uma pressão asfixiante foi colocando a equipa dos CNC DRAST em extremas dificuldades. Era um final de jogo de sentido único, com os jogadores do A.A.C. a dar tudo em campo. Pedro Vicente poderia ter dado o triunfo quando tirou dois adversários do caminho mas o seu remate deixou a baliza a abanar após a bola bater na trave da baliza de Tiago Alberto.
Aos 38 minutos, o esforço teve recompensa. Hugo Lopes na direita meteu no meio para Telmo Nabais, que sem perder tempo abriu para Daniel Teles à esquerda, este cruzou para a área e o próprio Hugo Lopes, que tinha começado a jogada, foi também quem concluiu, colocando a bola dentro da baliza, já pressionado por Hugo Silva. 3-2 e a dois minutos do fim os 3 pontos pareciam finalmente destinados. Nas bancadas ouvia-se um silêncio ensurdecedor. Houve ainda tempo para o melhor marcador Daniel Teles marcar um quarto golo aos 39 minutos com um remate forte e seco, após assistência de Hugo Lopes, acabando com as dúvidas que ainda pudessem existir.
Foi uma vitória justa, pela primeira parte e pela personalidade demonstrada nos minutos finais pelo A.A.C. mas foi excelente a réplica dada pela equipa da casa e foi por um triz que não conseguiam os seus objectivos. No final do jogo sentia-se no seio da nossa equipa que o dever estava cumprido após uma batalha épica, debaixo de uma forte pressão das bancadas.
A equipa iguala os RV’s no topo da classificação com 10 pontos, e segue bem lançada no apuramento para os playoffs. Realce ainda para o espírito de sacríficio de Daniel Teles e Telmo Nabais que, desaconselhados pelo departamento médico após lesões na tibiotársica e respectivo estiramento dos ligamentos, jogaram limitados mas arriscaram a sua integridade física em prol da equipa.
Análise individual:
João Reis: Teve pouco trabalho, quando foi chamado respondeu sim, à excepção do primeiro golo onde podia ter estado um pouco melhor na mancha. No segundo golo, nada havia a fazer.
Daniel Alfaiate: Daniel Alfaiate voltou a estar pouco tempo em campo, quando esteve foi regular e ainda teve tempo para algumas acções individuais.
Daniel Teles: Talvez devido à sua inferioridade física, não esteve tão acutilante nas acções ofensivas, mas valeu o espírito de sacrifício e, no final o golo da ordem. Tempo ainda para uma assistência para o golo de Hugo Lopes.
Luís Trindade: Esteve muito bem na primeira parte, onde marcou um golo soberbo. Na segunda parte esteve uns furos abaixo do seu nível, desconcentrando-se por vezes.
Pedro Vicente: Demonstra uma maturidade impressionante, este jogador de… 15 anos. Hoje não esteve tão bem como nos outros jogos, mas foi sempre um desequilibrador e merecia o golo quando rematou à barra.
Bruno Correia: Hoje tivémos de volta este grande jogador. Após a reaparição no jogo passado, hoje apontou um golo impressionante, principalmente pela forma como ultrapassou um dos melhores defesas do campeonato. Não fugiu à apatia generalizada do segundo tempo.
Telmo Nabais: Foi o elemento mais rematador da primeira parte, mas sem efeitos práticos. Na segunda parte, foi se calhar o jogador mais apático, sendo ele o principal transportador de bola, e demonstrou pouca mobilidade, principal característica. Nos 4 minutos finais, mostrou atitude completamente diferente, para melhor.
Hugo Lopes: Esteve em 3 dos 4 golos da equipa, marcando um deles. Foi, talvez, o melhor jogador da nossa equipa nesta partida, segurando muito eficazmente a bola. No período final foi arrasador.
Flash Interview:
No final do encontro, o guarda redes João Reis e o treinador Daniel Alfaiate fizeram a sua análise aos acontecimentos desta tarde de Carnaval:
Carregue aqui para assistir ao flash interview no final do jogo